segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Adeus Cape Town

Cape Town foi um dos lugares mais lindos que já conheci, com belíssimas praias, todas cercadas por grandes montanhas e muito verde. Tudo gira em torno da Table Mountain, a principal atração da cidade e merecidamente uma das novas 7 maravilhas do mundo. Me atrevo a dizer que fica lado-a-lado com a vista do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. No entanto, que me desculpem os cariocas, mas aqui é ainda mais bonito!
Infelizmente, grande parte das pessoas locais insistem em assustar os turistas, sempre prevenindo-os sobre assaltos, seja em caminhadas na praia ou principalmente, ao andar de trem, na 3a classe. No começo, eu estava bem preocupada, mas após uma semana já estava me sentindo em casa. Ouvi comentários sobre voluntários que haviam sido assaltados, mas em todas as ocasiões, eles deram mole. Moro em SP, uma cidade grande e as precauções devem ser sempre as mesmas em qualquer lugar do mundo. Não chamar muita atenção com jóias e bijuterias, não expor seu mega celular em público, não carregar muito dinheiro e muito menos o passaporte e sobretudo, ficar sempre atenta e manter uma postura confidente. 
Trabalhando como voluntária, também tive a oportunidade de conviver diretamente com muita pobreza e muita fome e me sinto feliz por saber que pude contruibuir de alguma forma em um continente tão subdesenvolvido. Fazer o bem é contagioso e tenho certeza que contagiei um grande número de pessoas, para que essas mesmas pessoas contagiem outras e assim por diante.
Dentro de algumas horas estarei voando para Nairobi, capital do Quênia, onde ficarei por mais 06 semanas. Dizem que a África do Sul é o país mais desenvolvido do continente africano e que certamente sentirei um grande contraste no Quênia.
Deixo Cape Town com aperto no coração...mas ansiosa para ver a África de verdade!


domingo, 12 de agosto de 2012

Sobre a DTR (Dreams to Reality Foundation)

Conforme mencionei no começo do blog, para trabalhar como voluntária nos 03 países que escolhi juntamente com a minha irmã (África do Sul, Quênia e Índia), me associei à IVHQ – International Volunteer Headquarters. Sendo que, em cada país, eles mantêm parceria com diferentes ONGs às quais também tivemos que nos associar, uma vez que sua sede fica na Nova Zelândia.
Dessa forma, na África do Sul, me associei à DTR e da qual falarei abaixo para os interessados em voluntariado neste país, agora que já conclui meu trabalho.
Logo de cara, já achei a ONG extremamente desorganizada. Ao preencher o formulário online de associação, mencionei que gostaria de trabalhar em orfatanatos. Porém, no primeiro dia de orientação, descobri que eles só tinham parceria com escolas e creches na favela de Capricorn, em Muizenberg, há 45 minutos do centro de Cape Town.
O dia de orientação foi bem casual, sendo que eu esperava algo mais profissional. Reuniram todos os voluntários na casa principal e de forma breve, nos deram algumas informações básicas sobre o trabalho e sobre segurança. Além disso, entre todos os documentos, solicitam também uma  ficha criminal. Alguns voluntários esqueceram e a ONG nem fez questão de cobrá-los.
Também mencionaram nas apostilas que trabalharíamos de 2ª a 6ª feira, das 09 às 15h. Sendo que trabalhávamos apenas das 09 ao meio-dia.
Com o passar do tempo, claro que fui me acostumando e me apegando às crianças da creche. Tenho consciência de que as crianças das favelas também precisam de ajuda, muitas não têm pais ou se têm, não têm a educação e criação adequadas. Mas crianças orfãs, certamente precisam muito mais de nossa ajuda.  
O trabalho voluntário depende muito de você mesmo (a). Meu primeiro dia na creche Sunrise Educare foi decepcionante, pois a DTR nos deixa no local, não nos introduz a ninguém e nem diz o que faremos. Me colocaram em uma sala onde as professoras só conversavam entre elas, em Afrikaans, e mal conversaram comigo. Fiz minha parte, mas como não senti reciprocidade, no dia seguinte simplesmente mudei de sala.
Por sorte, minha irmã foi muito bem recepcionada por excelentes professoras, sendo que uma delas era assistente. Portanto, decidi ficar na mesma sala que ela.
Com o passar dos dias, muitos voluntários insatisfeitos, pediram seu dinheiro de volta. Não sei dizer se conseguiram, mas muitos que ficariam por volta de 01 mês, simplesmente foram embora na primeira semana. Mas devo dizer que nas apostilas que recebemos via email, deixam bem claro que não devolvem o dinheiro.
Também fomos conversar com os fundadores da DTR – Tim e Iviwe. Lavamos toda a roupa suja, falamos tudo que achávamos estar errado, da mesma forma que eles também puderam nos expôr seus esforços e dificuldades. Comunicação é tudo!
A partir de então tudo começou a entrar nos eixos. Começaram a organizar a distribuição de sopa com mais frequência, foram atrás de doação de produtos para montarmos cestas básicas para entregarmos na favela e  começaram a se organizar melhor no escritório.
Além disso, eu e minha irmã fizemos de tudo para colaborar com as atividades da creche e com as professoras, sempre agindo de forma pró-ativa. E também procuramos outra ONG, por conta própria, para trabalhar à tarde (Mother’s Unite, sobre a qual já comentei em um post anterior).
A DTR é uma ONG muito recente e com donos muitos jovens – na faixa dos 30, portanto, fomos meio que “cobaias”. De qualquer forma, espero sinceramente que aprendam com seus erros e até mesmo com as sugestões dos voluntários, para que possam receber os próximos adequadamente.
Conheci outras pessoas fazendo trabalho voluntário através de outras ONGs e acabei descobrindo que a DTR também tem seu lado positivo. As outras ONGs cobram fortunas, não proporcionam muita comida e hospedam os voluntários longe do local de trabalho. Disso não posso reclamar! O valor que paguei foi justo, fiquei em uma ótima acomodação, com comida farta e próxima do trabalho. Além disso, eles também proporcionam transporte para ida e volta, pois não podemos andar nas favelas, por questões de segurança. A equipe da DTR, apesar de desorganizada, era muito amigável e solícita.
Devo mencionar que demos sorte com a nossa acomodação, pois nosso primeiro dia foi um pesadelo. Nos colocaram em uma casa com 20 voluntários (praticamente adolescentes) e apenas 02 banheiros. Uma verdadeira zona! Não tivemos dúvida, reclamamos na manhã seguinte e já nos mudaram para uma casa de família, solicitação esta que também havíamos feito ao nos associarmos à ONG.
Tudo na vida tem o lado positivo e o negativo e posso dizer que, apesar de todos os contra-tempos, foi uma experiência muito válida e gratificante. Só depende de nós extraimos as coisas boas e considerarmos tudo como um grande aprendizado! Não quero criar expectativas para não me decepcionar, mas agora só me resta esperar que a ONG do Quênia seja melhor. Deixarei vocês sabendo em breve!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Shark Cage Diving

Megulhar em alto mar, dentro de uma jaula, para ver tubarões, parece meio assustador. Mas uma vez dentro da jaula, percebe-se que não há nada de perigoso. Os tubarões chegam bem perto, atraídos pela comida que os funcionários do barco jogam na água, mas nunca atacam a jaula.
Comidinha para atrair tubarões
Fazer esse tour em pleno inverno foi um tanto sofrível. Todos que conheci e que já haviam feito esse passeio me avisaram sobre o frio durante a viagem de barco até alto mar. Sobretudo, recomendaram que eu tomasse algum remédio para prevenir enjôo. Nunca senti nenhum mal estar em alto mar, mas resolvi seguir esse conselho e comprei um remedinho, o qual deve ser tomado com 01 hora de antecedência.
O melhor horário para ver os tubarões é de manhã, então o sofrimento já começa pelo horário que te buscam em casa. Temos que estar no barco no máximo até 07 horas, sendo que o local de mergulho fica em Gansbaai, há 02 horas de Muizenberg, onde estou hospedada. Ou seja, me buscaram às 03h45 da madrugada, pois o motorista ainda buscaria outras pessoas no centro de Cape Town. Mas tudo tem o lado bom e pelo fato de chegarmos tão cedo no local, pudemos apreciar um belo nascer do sol!
Nascer do sol em Gaansbai
Já no barco e toda quentinha, tive que tirar minha roupa para colocar o macacão de neoprene, em meio a 20 pessoas, com o barco em movimento e ainda por cima, molhado. Quem já usou esse macacão, sabe o quanto é difícil ele deslizar no corpo, imagine então estando úmido!
Em alto mar, a maioria das pessoas começaram a passar muito mal, inclusive eu! Mesmo tendo tomado o bendito remédio. As ondas eram gigantes, o barco praticamente voava! Comecei a tremer, tudo ficou preto, senti tontura e enjôo. Tive que me deitar, pois achei que desmaiaria.  Enquanto isso, alguns já se trocavam para entrar na jaula e outros já vomitavam fora do barco.
Por um instante achei que gastaria meu dinheiro à toa e ainda por cima, não veria os tubarões. Tomei um pouco de água e 15 minutos depois estava me sentindo bem melhor. Me troquei e fui admirar os tubarões que chegavam perto do barco, já com 04 pessoas dentro da jaula.
Tubarão visto do barco, próximo à jaula
Mas o sofrimento não termina aí. Quando você entra na jaula, é meio claustrofóbico. Fora que a água estava extremamente gelada. Após alguns minutos eu já não sentia meus pés, nem minhas mãos. O macacão de neoprene segura bem o frio, mas quando a água entra pelas mangas ou pelo pescoço, é simplesmente congelante! Fiquei preocupada com hipotermia, pois ficamos aproximadamente 45 minutos imóveis dentro da água. Mas claro que a qualquer momento, você pode pedir que subam a jaula, coisa que eu nunca faria!
Para finalizar, comprei uma câmera descartável, mas foi em vão. Os tubarões são enormes e é difícil fotografá-los em baixo d’água. O maior deles tinha 3.5 metros. Além disso, a jaula fica grudada no barco e balançava bastante com as ondas.
Ficamos apenas com a cabeça para fora para respirar e quando os tubarões começam a chegar, uma pessoa no barco nos avisa a direção para mergulharmos. O óculos de mergulho me atrapalha um pouco, pois tenho dificuldade para respirar com a boca. Fui me acostumando com o tempo, mas ainda assim, bebi bastante água do mar!
Para piorar, os pedaços da carne que os funcionários lançavam no mar se despedaçam com o tempo e vinha tudo na gente. Voltei para o barco fedendo! Mas o cheiro se torna imperceptível, uma vez que o barco já estava fedendo por causa das pessoas que tiveram desinteria e que vomitaram e não conseguiram ir na jaula.
De qualquer forma, valeu a experiência. Internamente me peguntava por que sempre me coloco nessas situações e dava risada sozinha, pois quem me conhece, sabe que adoro atolar o pé na lama. Traduzindo...adoro uma bela aventura!

P.S.: Não esqueça de já ir usando biquini por baixo, além de levar toalha, sacola plástica para colocar a roupa molhada, protetor solar e chinelos!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cape Point & Cape of Good Hope

Depois de Table Mountain, Cape Point Reserve e Cape of Good Hope foram os lugares mais bonitos que visitei em Cape Town.
A Reserva Natural de Cape Point é o local mais ao sul do Parque Nacional de Table Mountain e onde também fica o famoso Cabo da Boa Esperança, considerado o ponto mais ao sudoeste do continente africano.
Eu e minha irmã no Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope)
Lembro-me vagamente de ter estudado sobre o Cabo da Boa Esperança durante as aulas de História, porém, só sei dizer que dois grandes navegadores portugueses contornaram esse Cabo por volta de 1400 e bolinha para então descobrir os Caminhos da Índia. Foram eles Bartolomeu Dias e Vasco da Gama.
A península é enorme, portanto o meio mais fácil de chegar ao parque é de carro. Caso contrário, também há tours que cobram aproximadamente 700 rands, incluindo visita a outros pontos turísticos.
Para entrar no parque, paga-se 85 rands por pessoa (no caso de tours, esse valor já está incluso). Não esqueça de solicitar um mapa, pois há diversas trilhas que podem ser feitas a pé, sendo Cape Point e Cabo da Boa Esperança, as mais famosas.
Dizem que é possível ver zebras, avestruzes, antílopes e principalmente babuínos, a maior atração do parque. Eu só vi os babuínos. Não tente alimentá-los, além de ser proibido, eles podem se tornar muito agressivos.
Baboons
Nossa primeira caminhada foi até o Farol de Cape Point, construído em 1860, de onde se tem uma vista maravilhosa!
Cape Point Lighthouse
Durante o trajeto, é possível avistar também a pequena praia deserta Dias Beach, assim chamada em homenagem a Bartolomeu Dias.
Dias Beach
Em seguida, fomos para o famoso Cabo da Boa Esperança, onde uma belíssima paisagem é formada pelo mar  batendo em imensas montanhas rochosas. Quando se estuda história na escola, é impossível imaginar que trata-se de um lugar tão lindo!
Eu e minha irmã, no Cabo da Boa Esperança


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Último dia de sopão

Para finalizar nosso trabalho em Cape Town, hoje também foi nosso último dia de distribuição de sopa na favela de Capricorn. Posso dizer que este foi um dia cheio de caridade, que encheu não só o meu coração de alegria, mas a barriga de muita gente faminta! ;-)

Cozinha da Mary, onde o sopão é preparado

Distribuição de sopa

Pessoas tomando sopa na favela de Capricorn

  

Sunrise Educare - Último dia

Após um mês e meio trabalhando na creche Sunrise Educare, infelizmente chegou a hora de nos despedirmos das nossas queridas professoras e dos nossos pequenos aluninhos. Parece tão pouco tempo, mas foi o suficiente para nos apegarmos e nos afeiçoarmos a todos eles. Doeu de verdade ter que deixá-los e dizer que nunca mais os verei. Para tornar esse momento mais alegre, compramos um bolo de chocolate delicioso para comemorar com as crianças.

Professoras Glennys e Florence ao fundo
Dessa creche levarei como aprendizado o significado da palavra “dividir”. Dividir a comida entre as crianças que traziam suas mochilinhas vazias. Dividir as tarefas com as professoras, fosse lendo histórias, levando as crianças ao banheiro ou até mesmo limpando a sala. Dividir o sabonete, cortando-o em pedacinhos para que as crianças não o desperdiçassem. Dividir um único copinho de água com a sala inteira. Dividir os momentos de bagunça, mas dividir também os momentos de aprender a lição. Mas principalmente, dividir o amor, porque é isso que a gente leva dessa vida - o amor que damos e o amor que recebemos!

Ao final da aula, aproveitamos para distribuir as cestas básicas que montamos na noite anterior para as mães que foram buscar seus filhos na creche. Mais uma vez foi gratificante ver o sorriso surpreso e de agradecimento em seus rostos, pois certamente essa cesta sustentará uma pequena casa, com uma grande família, por um longo tempo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mother's Unite - Último dia

A Mother’s Unite foi uma das ONGs mais sérias que já conheci e como em qualquer despedida, foi triste ter que dizer adeus às mães e às crianças. Dá uma sensação de vazio pensar que nunca mais veremos pessoas tão queridas.

Eu e minha irmã fomos recebidas de braços abertos. Foram super atenciosas e carinhosas, como se também fossemos suas filhas. Vê-las trabalhando em equipe, para proporcionar um futuro melhor para as crianças foi certamente um grande aprendizado e que levarei comigo para o resto da vida!
Crianças nos escrevendo cartão de despedida
O mais bonito e exemplar é ver que lá as crianças de rua não brigam e não falam palavrões. É uma regra imposta pelas mães e todos levam muito a sério, caso contrário, são suspensos por 01 semana. Percebe-se que as crianças adoram ir para a ONG após a escola, onde eles podem brincar a tarde toda, as aulas são prazerosas, por não ser uma obrigação e o principal, lá eles têm o que comer.
À noite a ONG para a qual trabalhamos organizou um churrasco em uma das casas de voluntários. Levaram inclusive uma banda sulafricana para tocar e cantar para todos nós. Foi uma noite bem agradável. Em meio a tudo isso, também montamos 50 cestas básicas, com produtos doados por um grande supermercado chamado Pick n Pay, as quais distribuiremos para algumas famílias da favela de Capricorn.
Voluntários montando cestas básicas