terça-feira, 3 de julho de 2012

Línguas oficiais - África do Sul

11 línguas oficiais na África do Sul:

- Inglês, falado por praticamente todos
- Afrikaans, falado mais por brancos e mestiços, sendo uma mistura de inglês e dutch (mestiços são os mulatos, a mistura de negros e brancos)
- Xhosa vem em 3o. lugar e é mais falado por negros
- Em seguida vem: Zulu, Sepedi, Setswana, Sesotho, Xitsonga, siSwati, Tshivenda e isiNdebele


1o. dia de trabalho voluntário - Sunrise Educare

Escolhi trabalhar em uma creche chamada Sunrise Educare, na favela de Capricorn, cuidando de crianças entre 03 a 05 anos. Meu primeiro dia foi bem frustrante! Fui praticamente “largada” em uma sala com 30 crianças e 04 professoras que mal me receberam. Elas só conversavam entre elas em uma de suas línguas nativas, enquanto as crianças brincavam, sentadas no chão. 

Sunrise Educare
Tentei abordá-las em alguns momentos, fazendo perguntas sobre a escola e sobre as crianças, me mostrando interessada e demonstrando vontade de ajudar, mas tive muita dificuldade para entendê-las e elas também não se mostraram muito solícitas. Aliás, estou tendo um pouco de dificuldade para entender o inglês africano. Mas sei que meus ouvidos se acostumarão em breve.

A favela de Capricorn é completamente horizontal e praticamente todas as ruas são asfaltadas e largas. Por incrível que pareça, não vejo lixo nas ruas. As casas são construidas com diferentes tipos de materiais que os moradores vão pegando nas ruas com carrinhos de supermercado, como placas de metal, madeiras, etc.

Não podemos circular pelo bairro à pé, por isso, a ONG nos leva e nos busca em uma van. Por mais que os moradores saibam que estamos contruibuindo como voluntárias, certamente seríamos assaltadas.
Favela de Capricorn
 
Igreja em frente à Sunrise Educare

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Como se vestir na África

Acho extremamente importante saber a cultura de cada país para que possamos nos adaptar a ela, e isso inclui a forma de se vestir. Na Índia por exemplo, já li que devemos cobrir os ombros e tornozelos e na medida do possível, os cabelos também. Na África funciona da mesma forma. Mesmo em altas temperaturas, eles se vestem de forma bem conservadora – sempre usando calças, camisas de manga comprida e saias longas.

Dia de Orientação

Os trabalhos voluntários com todas as ONGs começam sempre  às 2as feiras, por isso pedem que cheguemos no domingo. No primeiro dia, fomos todos reunidos para nos darem as orientações necessárias. Falaram um pouco sobre os diferentes tipos de trabalhos voluntários, sobre os costumes, como devemos nos comportar e nos vestir, entre outras instruções.
Visitamos todos os locais que poderíamos trabalhar – basicamente escolas e creches, todos em uma mesma favela, chamada Capricorn. O que nos decepcionou um pouco, pois gostaríamos de trabalhar em orfanatos, onde as crianças são muito mais carentes.

No caso das escolas, seria para trabalhar com “aborrescentes”, dando aula de educação física. Na creche onde estamos trabalhando no momento - Sunrise Educare, fazemos de tudo um pouco, mas como assistentes da professora. E há uma terceira opção, para ensinar surf aos adolescentes.

Nas apostilas que nos enviaram também havia a opção de ensinar inglês e computação, mas pelo que pude observar, a ONG é muito recente, um pouco desorganizada e estes programas ainda não estão acontecendo.
Neste mesmo dia, um dos funcionários da ONG - Jonhy,) nos levou até o centro de Cape Town. Fomos de metrô, na 3ª classe (15 rands ida e volta*), lotado! Existe também a 1ª classe e que custa um pouquinho mais caro (22 rands ida e volta)*. Supostamente, seria pelo fato de ser mais vazio, com assentos almofadados e mais seguro. Mas a realidade que vejo é outra. Doa a quem doer, mesmo com o final do apartheid em 1994, a first class parece ser para brancos.
Almoçamos em um concorrente do MC Donalds e tão bom quanto, chamado Steers. O “combo” (lanche + batata frita + refrigerante) custou 45 rands, o equivalente a quase U$ 6.00. Em muitos países africanos, essa rede conseguiu proibir a entrada do MC Donalds, para evitar a concorrência.
Demos uma breve volta pelo centro e retornamos a Muizenberg, porém dessa vez, em first class, que por sinal, estava vazia.

*Observando que esses preços são relativos aos percursos entre Cape Town e Muizenberg, onde estamos hospedadas.

domingo, 1 de julho de 2012

Hospedagem em Cape Town

Assim que cheguei me colocaram em uma casa grande e até simpática, há 10 minutos da praia. Porém, lá havia por volta de uns 20 voluntários e apenas 02 banheiros. Todos mais jovens, a maioria dos EUA e do Canadá. Uma verdadeira zona!
 
Primeira casa - Casa de Voluntários
Maloca
Escolhi um quarto que restava e lá esperei minha irmã chegar da Austrália. Eu já estava preparada psicologicamente, mas quando ela chegou, levou um choque! Ela esperava uma casa de família, uma vez que havia esta opção e porque gostariamos de conviver com pessoas locais.
Para piorar, chegamos no dia 01 de Julho, que é o Dia do Canadá, então muitos sairam para comemorar. Voltaram bêbados, falando alto, vomitando e ainda foram tomar banho. Ela levantou duas vezes para reclamar, não dormimos nada.
No dia seguinte, reclamamos com a ONG, que gentilmente nos colocou na casa de uma família super simpática e receptiva. São eles os pais Kevin e Beryl, uma filha de 15 anos, chamada Kathryn e um filho de 20 anos, chamado Sean.
Segunda casa - Casa de família
Claro que eu não poderia esquecer de mencionar o Jonty, nosso mais novo cachorrinho de estimação. Ele é super inteligente e dócil e nos adotou como suas novas donas. Só pensa em comer e dorme na nossa sala a noite inteira. 
Jonty
Na verdade, não moramos com eles. Há uma casa no 2º andar, sem acesso à casa deles e na qual temos muita privacidade. Temos 02 quartos, 01 cozinha americana, sala e 01 banheiro. Nas duas primeiras semanas duas americanas moraram conosco, mas agora, estamos temporariamente sozinhas.
Ou seja, para os meus amigos que achavam que, pelo fato de eu estar vindo trabalhar como voluntária na África, eu passaria necessidades, saibam que estou morando e comendo muito bem. E ainda por cima, não temos que cozinhar (com exceção dos finais de semana), pois a ONG tem um “chef” chamado Tabo que cozinha para 03 casas de voluntários no total e traz comida todos os dias para a nossa casa também.

Muizenberg, a praia do surfe

Estou “morando” em uma praia chamada Muizenberg, há 45 minutos de metrô, do centro. É considerada uma das melhores praias para quem quer aprender a surfar, porém, há muitos tubarões por aqui.
Ainda bem que faz frio nesse momento, pois não pretendia entrar na água, mesmo se fosse verão. Há bandeiras em todas as praias, informando sobre a possibilidade de entrar na água ou não. Salva-vidas se mantém a postos, observando o mar. Caso os tubarões apareçam, ele soa um alarme. Mesmo assim, creio que eu não me arriscaria...talvez molhasse os pés. Alguns se arriscam e em apenas 03 semanas que estou aqui, duas pessoas já foram atacadas.
Para quem realmente deseja ver um tubarão de perto, existe um tour  chamado Shark Cage Diving, no qual as pessoas mergulham dentro de uma jaula, em alto mar, para vê-los em momento de caça. Quem me conhece, sabe que adoro uma aventura e provavelmente não perderei essa oportunidade! Dizem que aqui é o melhor lugar do mundo para ser fazer esse passeio.
Voltando à Muizenberg, é uma cidade litorânea bem tranquila, completamente horizontal e com um único prédio. Aqui não há trânsito e nem ônibus, apenas o metrô e as vans, que eles também chamam de táxi. Na primeira vez que procurei um táxi, as pessoas na rua apontavam para essas vans e eu não entedia por quê. Pode ser um pouco perigoso, pois em sua grande maioria, são veículos meio velhos e os motoristas correm feito loucos.
Muizenberg beach
Lago Zandvlei
Dica: pague assim que entrar na van, para não haver erro! Aqui eles fazem de tudo para tirar dinheiro dos turistas (como em qualquer parte do mundo). Outro dia eu e minha irmã entramos em uma dessas vans, porém, um motorista que estava fora do carro, havia nos dito que seria 4 rands, quando entramos na van, entendemos que o motorista que dirigia estava nos cobrando 8 rands. Estávamos cansadas de tanto andar e topamos. Só havia nós duas na van e ele não parou para pegar mais ninguém, o que achamos estranho. Ficamos preocupadas, mas já era tarde para voltar atrás. Ao nos deixar em nosso ponto, ele queria 80 rands de cada. Ele havia dito eighty rands e havíamos entendido eight. Começamos a discutir dentro do carro e acabamos pagando somente 10 rands cada. Rodamos a baiana, deixando o motorista ciente de que não rola tentar passar a perna em brasileiros!

Chegando em Cape Town

A viagem de São Paulo a Dubai dura aproximadamente 14 horas. O serviço de bordo da Emirates é ótimo, mas ainda assim, a classe econômica deixa qualquer um quebrado! Já estava ficando desesperada para fazer a escala, mesmo tendo que ficar por mais algumas horas no aeroporto de Dubai, que aliás, mais parece um shopping. Nunca vi um duty free tão grande! Tive que resistir as tentações!
Para minha sorte, de Dubai para Cape Town (09 horas de viagem), cometeram um engano e me colocaram na Business Class. Adorei! Fui recebida com Champagne, comi risoto de camarão e churros com calda de chocolate como sobremesa.
Foi uma delícia poder me esticar completamente! Dormi como uma pedra, como nunca tinha dormido antes em um avião! Sem contar a necessaire, cheia de produtos da Bulgary! Dinheiro pode não trazer felicidade, mas proporciona conforto!
Estava um pouco preocupada em viajar para a África, pois muitos dizem que há longas e fortes turbulências. Em alguns anos de viagem, por incrível que pareça, nunca passei por nenhuma e também não foi dessa vez!
O staff da ONG Dreams To Reality Foundation (http://www.dreamstoreality.co.za/) foi me buscar no aeroporto de Cape Town. Uma breve explicação à parte: me associei à IVHQ, mas em cada país, trabalharei para diferentes ONGs, com as quais eles mantêm parcerias.