terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Se você for à Índia, fique sabendo que...

Viajar à Índia é uma experiência única. Ou você ama, ou você odeia. A Índia é um país que causa aversão em muitas pessoas, mas não é certo julgar um lugar sem antes tentar entendê-lo. Por isso, é necessário ir de mente e coração abertos.

Sim, a Índia é um país atrasado, subdesenvolvido, caótico, populoso e todas as outras coisas que dizem sobre ele. Por outro lado, é também um país encantadoramente diferente, rico em diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes costumes, que envolve e seduz. 

Falar da Índia é falar de tumbas construídas em nome do amor, templos, fortalezas, palácios e charmosas ruínas. Dos imperadores e sultões. Das cores, especiarias e cheiros. Dos festivais, dos elegantes saris e tatuagens de henna. Das cremações à beira do Ganges, dos filmes de Bollywood, dos ashrams e da milenar prática de yoga. Das divindades, religiões e superstições. Da comida deliciosamente exótica e apimentada e do chai.  Das vacas e macacos. Dos mais belos pores do sol, das flores de lótus e colares de marigold (cravo). Dos tuk tuks, das estátuas, pashminas e incensos.

Especiarias indianas
Colares de marigold
Falar da Índia é falar das belezas e mistérios que vão desde o centro antigo de Delhi, às montanhas do Himalaia ao Norte, até suas praias ao sul.

Falar da Índia é falar de grandes personalidades como Gandhi, o músico Ravi Shankar, da revolucionária Phoolan Devi, e por onde também passaram Buda e Jesus Cristo.

Sonhava em conhecer a Índia desde a minha infância, talvez por isso não tenha sido uma viagem difícil para mim. Mas devo confessar que  realmente não é um lugar fácil para se visitar. Não há centros de informações turísticas e são raras as boas agências. As estradas e ônibus têm péssimas condições. Muitas pessoas não conseguem se adaptar à alimentação e muitos voltam mais cedo para casa, principalmente por causa de intoxicações alimentares. 

Eu sou fascinada pela Índia, mas não posso fechar meus olhos diante de tantos contrastes, preconceitos e primitivismo. Portanto, também escrevo abaixo a verdade nua e crua, tudo que vi e ouvi durante os três meses que viajei pela Índia.

Se você for à Índia, fique sabendo que...

...os indianos têm o estranho hábito de encarar de forma fixa e indiscreta. Chega a incomodar!  Mulheres nos encaram por curiosidade. Homens por acharem que somos "fáceis". Eles nos olham pensando literalmente em sexo. Melhor ignorar. Com o tempo você se acostuma;

...o país tem um mix incrível de cheiros que vai de incenso a esterco, de sândalo a urina, de especiarias a frituras;

...os indianos têm o costume de pedir para tirar fotos. Eles nos acham diferentes por causa do nosso tom de pele e cabelo. Ficam mais encantados ainda com os loiros. Se você for mulher, evite tirar fotos apenas com homens. Já com famílias e mulheres indianas, não tem problema;

...apesar de ilegal, ainda existe o preconceituoso regime de castas;

...a energia cai toda hora, em toda a Índia, até mesmo nos shoppings. Ao menos têm geradores para os cinemas!

...a tradição de comer com a mão direita e considerar a esquerda suja por ser a mão que se limpam, está praticamente extinta, só existindo ainda em algumas regiões mais tradicionais da Índia;

...em banheiros públicos você encontrará apenas latrinas. Mesmo quando há vasos sanitários, o “trono” será sempre mais largo, para que possam apoiar os pés. É costume dos indianos sentarem-se e até mesmo fazerem suas necessidades de cócoras. E onde quer que vá, carregue sempre um rolo de papel higiênico e álcool em gel;

...você verá alguns travestis pedindo dinheiro nas ruas. Na verdade, os indianos não os consideram travestis. Eles são chamados Eunuchs, que significa “homem castrado”. Dizem que meninos são raptados quando crianças e castrados por criminosos para que ganhem dinheiro por eles pedindo esmola nas ruas. 

A cena mais comum e que inclusive mostraram na novela Caminho das Índias, são Eunuchs invadindo casamentos. As famílias pagam para que se retirem, caso contrário, causarão constrangimento a todos. Além disso, os indianos acreditam que se não lhes derem dinheiro, serão amaldiçoados;

Gastronomia

...se você quer conhecer a gastronomia indiana em um só prato, não deixe de experimentar um prato típico chamado Thali, composto de arroz, chapati (pão indiano) e diversos potinhos com diferentes molhos. 

Não é segredo para ninguém que a comida indiana é apimentada, então nunca se esqueça de pedir sem pimenta. Se ainda assim vier apimentado, peça um lassi doce para acompanhar, bebida indiana à base de iogurte, ingrediente este que serve justamente para “acalmar” o estômago;

Thali, prato típico indiano
Trânsito

...buzinar é uma tradição no país inteiro. Parece até que dirigem com um dedo na buzina. Não é por menos que a mensagem que mais se lê nas traseiras dos caminhões é “Horn Please” (buzine por favor);

...existe uma hierarquia nas ruas: ônibus e caminhões não respeitam carros nem tuk tuks, que não respeitam rickshaws, que não respeitam bicicletas. E por fim, ninguém respeita pedestres. Os ônibus mal param para que os passageiros subam ou desçam, mas param para as vacas atravessarem, claro!

...você verá famílias inteiras em uma única moto;

Em moto de indiano sempre cabe mais um!
...não se incomode se estiver andando de tuk tuk ou táxi e os motoristas pararem para conversar com os amigos no meio da rua. Eles não te cobrarão a mais por isso, mas garanta de já fechar um valor antes de fazer a viagem;

...nas cidades grandes o trânsito é caótico. Não se surpreenda ao ver carros andando na contramão. Por isso, ao atravessar, olhe sempre para os dois lados, mesmo que seja uma rua de mão única;

Símbolos

...o símbolo do OM, muito popular não só na Índia como no mundo todo, é um mantra que representa o som universal, o nome de Deus, a vibração do Supremo;
 ...na Índia, o símbolo da suástica representa boa sorte. As primeiras imagens foram encontradas em objetos datados de cerca de 4 mil anos A.C. em antigas inscrições europeias. Foi usado de diferentes formas por antigas civilizações como os maias e celtas, por romanos, chineses, pela maçonaria e até mesmo por Hitler, que adotou a suástica em 1920, como símbolo do Partido Nazista. 
Suástica indiana, símbolo de boa sorte
A suástica indiana não deve ser confundida com o símbolo nazista. Hitler inverteu sua direção para que ela parecesse girar no sentido horário, dando a impressão de movimento. O líder nazista achava o logo forte e de fácil memorização, “capaz de representar a luta em prol do triunfo do homem ariano e o desenvolvimento da nação alemã por meio da campanha antissemita”, palavras estas mencionadas pelo próprio Hitler em seu livro Minha Luta;

Símbolo do Partido Nazista
Mulheres

...se você for mulher, vista-se apropriadamente, sempre cobrindo ombros e pernas;

...por incrível que pareça, as indianas devem cobrir ombos e joelhos, mas quando usam o tradicional sari, suas barrigas ficam à mostra, sejam elas barrigas enxutas ou mais “cheinhas”;

...as indianas são super vaidosas, especialmente com seus cabelos. No entanto detestam pêlos e por isso depilam até os braços;

...elas também adoram pulseiras e as usam aos montes em ambos os braços. Não só por vaidade, mas porque é um símbolo de proteção;

...as indianas são tão vaidosas que chegam a pintar os olhos dos próprios filhos, sejam eles meninos ou meninas;

Pequeno indiano de olhos pintados
...muitas indianas não gostam de seu tom de pele. O que mais se vê em salões de beleza são técnicas de clareamento da pele. Dificilmente você verá uma artista indiana que não seja branca. Mal sabem elas que invejamos sua cor e vamos à praia justamente para ficar com a cor delas;

...infelizmente mães solteiras, separadas e infiéis ainda são excluídas da sociedade. E viúvas não podem se casar novamente;

...nos metrôs e trens há um vagão rosa, reservado exclusivamente para mulheres;

...as indianas vão à praia e entram no mar vestidas;

...não deixe de fazer uma tatuagem de henna, técnica chamada Mehendi. Elas são lindas e muito populares entre as indianas;

Homens

...indianos escarram e urinam pelas ruas como se fosse algo normal. Em algumas cidades existem até mesmo mictórios nas calçadas. Inclusive, em longas viagens de ônibus, o motorista faz paradas no meio da estrada para os homens urinarem. Eles fazem xixi na frente de todos, sem a menor discrição;

...uma amiga, que já visitou a Índia três vezes, disse já ter visto inclusive pessoas defecando na rua (eu não!);

...além de escarrar, urinar e defecar, alguns indianos também arrotam em público. Porém, muitos desses hábitos fazem parte da cultura asiática. Inclusive, em alguns países, se você não arrotar à mesa, é sinal de que não gostou da comida, podendo ser uma ofensa ao anfitrião;

...alguns indianos têm o hábito de mascar uma erva chamada paan, que deixa os dentes e lábios avermelhados. Essas escarradas são as mais repugnantes;

...a Índia ainda é um país sexista e machista, onde homens podem andar de mãos dadas, mas casais não podem mostrar afeto em público;

...se você for mulher e decidir ir a um festival, saiba que os indianos vão tentar te tocar descaradamente em partes íntimas;

Vacas

...obviamente, há vacas por todos os lados, até mesmo nas praias. Sagradas ou não, saiba que elas atacam!

Agonda Beach, Goa
...os hindus não comem carne de vaca por considerar este animal sagrado. Mas muitos indianos comem outros tipos de carnes, inclusive carne de boi, uma vez que apenas a vaca é sagrada;

Religião

...estima-se que haja mais de 300 milhões de divindades na Índia;

Estátuas de divindades
Divindades estampadas em tecidos coloridos
...há muitas religiões diferentes na Índia. A que mais me impressionou foi a Parsi. Para fugir da perseguição muçulmana, os parsis emigraram do Irã para a Índia há aproximadamente mil anos. Não aceitam pessoas de outras religiões e se casam somente entre eles. Dizem que devido a isso, muitas crianças nascem com doenças genéticas, principalmente síndrome de down. Por não se misturarem, estão se extinguindo. 

Quando morrem, são deixados nus em um cemitério Parsi, para que sejam comidos por urubus. Acreditam que este é o modo mais higiênico para liberarem suas almas e também um ato de caridade por alimentarem essas aves. No entanto, se os urubus não aparecem, alguns corpos ficam no cemitério por meses, causando mau cheiro e falta de higiene em suas redondezas;

Vendedores

...vendedores indianos são seres pegajosos e que tentam empurrar produtos que você não tem interesse. Não caia no papo furado de que por ser brasileira(o) farão um preço especial. Eles certamente estarão te cobrando o triplo;

...em qualquer compra, os indianos sempre tentarão te extorquir. A regra na Índia é pesquisar e barganhar;

...assim como os brasileiros, os indianos também dão um "jeitinho" para ganhar dinheiro e para isso nem precisam de um estabelecimento. Nas ruas se vê de tudo - encantadores de serpentes, crianças se equilibrando em cordas, mas os que mais chamavam a minha atenção, eram os “limpadores de ouvido”, dentistas e barbeiros;

Barbeiro de rua
Pequena indiana andando sobre corda
...os encantadores de serpentes são falsos. As cobras saem atordoadas dos cestos por causa do calor. Evite tirar fotos e dar gorjetas, para justamente não incentivar o mal trato a esses animais;

Casamento

...grande parte dos casamentos ainda é arranjada e a família da mulher tem que pagar fortunas em dote;

...por causa do pagamento de dote, muitas indianas de origem mais humilde têm abortado ao saber que estão grávidas de meninas;

...a maioria das mulheres indianas preferem casamentos arranjados. Creio que a cultura já esteja muito enraizada para pensarem diferente. Elas dizem não querer perder tempo procurando alguém. Além do mais, se seus pais não lhe arranjarem um parceiro, a culpa será somente deles. Ao se casarem, elas passam a pertencer à família do marido, tendo que servir não só a ele, mas ao sogro, aos irmãos, aos primos e qualquer outro membro da família;

...em regiões mais afastadas e mais tradicionais, se a família da mulher não pagar o dote após o casamento, elas correm o risco de morrerem queimadas pela família do marido. Além disso, ainda existe um enorme preconceito se uma mulher só der filhas mulheres ao homem, podendo sofrer sérias consequências por causa disso. Há relatos de que homens as matam para poderem se casar novamente e dessa forma obter um dote, uma vez que divórcio ainda é inaceitável na cultura indiana;

...ao conhecer indianos eles sempre farão duas perguntinhas básicas: Where are you from? (De onde você é?) e Are you married? (Você é casada?). Se não for, se prepare para os olhares julgadores e comentários inoportunos;

Estupro, um caso sério na Índia!

...uma mulher é estuprada há cada 14 horas na Índia;


...estudos revelam que a Índia é o segundo país com o maior número de pessoas com HIV, depois da África. A AIDS cresce na Índia especialmente por conta do sexo sem proteção entre homens;

...relações sexuais entre homens indianos tem aumentado nos últimos anos, provavelmente porque a população de mulheres tem diminuído bruscamente em virtude dos abortos de bebês do sexo feminino. Abortos estes realizados para que não tenham que pagar o dote; 

...grande parte dos indianos vêem as mulheres ocidentais como objetos sexuais;

...a maioria dos indianos têm a coragem de dizer que a culpa pelos estupros é das próprias mulheres que provocam os homens ao se vestirem de forma ocidentalizada;

...se ficar doente, nunca fique sozinha em um quarto de hospital. O índice de estupros nesse caso é muito alto na Índia;

...cuidado também se tiver que ir ao banheiro durante viagens de trem noturnas. Casos de estupros são relatados frequentemente.

Concluindo...

O grande atrativo da Índia é justamente todo esse contraste cultural. Para visitar esse país é necessário um nível elevado de tolerância e aceitação. 

Como disse uma amiga que está indo para a Índia pela quarta vez, "a Índia é o que é. Cada pessoa que for lá, vai pegar um pedacinho para si, pedacinho este que estará apropriado para o nível de entendimento da pessoa naquele momento de sua vida". 

Eu já tinha vários pedacinhos da Índia dentro de mim e conhecer esse país serviu para acrescentar mais alguns. A Índia é exatamente o que eu esperava, como se eu já conhecesse o país. Talvez porque eu tenha me informado o bastante antes de ir, talvez porque eu tenha crescido em um ambiente "meio indiano" ou talvez porque eu já o conhecesse mesmo...em outras vidas!

Enfim...onde mais seria possível ver tudo isso reunido em um único lugar? Como diria o slogan do governo indiano, somente na "Incredible India" ( Incrível Índia)!

Aqui eu finalizo minha viagem e meu blog. Mas fiquem à vontade para entrar em contato!

Namaste!



Meu último dia na Índia - Hauz Khas Village

Último dia na Índia, último dia de viagem, eu e minha irmã descobrimos um último lugar em New Delhi para comemorarmos nosso ano novo.

Hauz Khas Village é um bairro fashion, bem frequentado, com inúmeras galerias de artes, lojas de grife conceituais e restaurantes. Me lembrou um pouco a Vila Madalena, em São Paulo, porém suas ruas são estreitas, seus prédios mais altos e há sempre um lugarzinho secreto em alguma cobertura. A foto abaixo eu peguei na internet, pois quando visitei o bairro já era tarde e estava muito escuro.


Hauz Khaz Village

Com um nome que mais soa alemão, Hauz Khaz 
na verdade vem da língua urdu, sendo que Hauz significa reservatório de água ou lago e Khaz significa realOu seja, Lago Real, onde ao redor há tumbas e mesquitas em ruínas, de sultões indianos, com mais de oitocentos anos de idade, lugar este que ficará para a minha próxima visita à Índia. 

Infelizmente só tivemos tempo de visitar a vila à noite, de onde pudemos ao menos ver parte do lago da cobertura do restaurante Bohème, mais uma indicação maravilhosa de amigos indianos e onde tivemos nosso último e delicioso jantar indiano. A foto abaixo eu peguei no Facebook do próprio restaurante.


Vista do restaurante Boheme, no bairro de Hauz Khas Village, em Delhi

Para ver mais fotos do restaurante, acesse: https://www.facebook.com/boheme.rooftop



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz ano novo indiano!

O que seria de um Ano Novo na Índia, sem uma comemoração tipicamente indiana? Por sorte, eu e minha irmã fizemos amizade com alguns indianos que nos convidaram para uma festa na cobertura de um prédio em Bandra, um dos bairros mais descolados de Mumbai, com direito a DJ, comida e música indiana, além de muita dança “bollywoodiana”. 

Eu e minha irmã entre nossos amigos indianos
Meia-noite em Mumbai
Nossa última noite em Mumbai não poderia ter sido melhor!

Feliz Ano Novo!!! ;-)





sábado, 29 de dezembro de 2012

Museus e galerias de arte em Mumbai

Mumbai é a cidade que mais se ajustou à cultura ocidental, mesclando a Índia antiga ao mundo moderno. Cidade do agito, das atrações, dos eventos, dos restaurantes, dos bares, das casas noturnas, dos filmes “bollywoodianos” e das compras, Mumbai abriga também grandes peças de teatro, apresentações culturais e exposições.

Em qualquer parte do mundo, nunca deixo de visitar um museu ou ver uma exposição de artistas locais. Portanto, não poderia deixar de conhecer a história de mais esta cidade e escolhi a dedo os lugares abaixo.

Dr. Bhau Daji Lad Mumbai City Museum

Inaugurado durante o Império Britânico, em 1872, sob o nome de Victoria & Albert Museum, o museu mais antigo de Mumbai passou a se chamar Dr. Bhau Daji Lad Museum a partir de 1975, em homenagem ao homem que colaborou para o campo das artes indianas. Médico bem sucedido, tinha como hobby colecionar moedas raras e antigas da Índia, bem como estudar antiguidades, decifrar inscrições e analisar datas e histórias em sânscrito, de antigos autores.

O edifício segue o charmoso estilo Palladiano, do arquiteto italiano Andrea Palladio, que se baseava na arquitetura clássica Greco-romana. No jardim, ao lado direito do prédio, há uma estátua de elefante. Estátua esta que pertencia à Elephanta Island e sobre a qual mencionei em post anterior.

Edifício do Dr. Bhau Daji Lad Mumbai City Museum em estilo Palladiano
Entre 2003 e 2007, o museu e suas obras passaram por uma grande restauração, fazendo com que ganhassem um Prêmio de Excelência da UNESCO. Encontrava-se completamente abandonado e destruído pelo tempo, fato que pode ser assistido em vídeo transmitido em um das salas do próprio museu.

Uma vez dentro, a decoração é encantadora. As cores verdes e douradas dão um ar de elegância ao museu, que possui um teto alto, com belos arcos e pilares. Ao redor das diversas luminárias pendentes, delicados desenhos foram pintados à mão. E no chão, há pisos que lembram os charmosos ladrilhos hidráulicos.

A charmosa decoração do Dr. Bhau Daji Lad Mumbai City Museum...
...com seus belos arcos, pilares e luminárias pendentes
O Museu Dr. Bhau Daji Lad é simplesmente fascinante. Não só por sua arquitetura e decoração, mas também pelos seis mil artefatos que o museu abriga em armários de vidro, incluindo esculturas, cerâmicas, moedas, obras feitas de marfim e pinturas de diferentes partes do país, muitos deles em miniaturas, que documentam a vida do povo de Mumbai e a história da cidade a partir do século 19.

Dr. Bhau Daji Lad Mumbai City Museum e suas obras expostas em armários de vidros
A entrada custa Rs 100 rúpias (US$ 2 dólares) e o museu fica no bairro de Byculla. É permitido fotografar, desde que sem flash. Mais informações podem ser obtidas através do site: http://www.bdlmuseum.org/.

National Gallery of Modern Art

Inaugurada em 1954, a NGMA possui hoje a coleção mais importante de arte moderna e contemporânea da Índia. Sua coleção é vasta e eclética, contando com mais de quinze mil obras que testemunham o rico passado do país. Obras datas a partir de 1857 são preservadas ali.

Tive a sorte de visitar a NGMA durante uma exposição de um grande pintor e escultor indiano chamado Ramkinkar Baij (1906-1980). Nascido em família pobre, muitas de suas criações artísticas foram inspiradas no estilo de vida rural.

Ramkinkar é um dos artistas mais importantes da arte indiana moderna. Seu principal ponto de referência era a Arte Ocidental Moderna e obviamente a arte clássica indiana. Ele foi o pioneiro em esculturas modernas ao ar livre na Índia e o primeiro artista indiano a experimentar o Expressionismo (visão interior do artista em oposição à mera observação).

Para mim foi difícil definir seu estilo. Ele tem pinturas a óleo, aquarela e esboços feitos com pena e tinta. Ele fez esculturas em bronze, gesso e concreto. Ele fez esculturas enormes, mas também tem pequenos e delicados quadros. De qualquer forma, no geral, suas obras me agradaram bastante.

É uma pena que os artistas indianos sejam tão pouco conhecidos ao redor do mundo. Se for a Mumbai ou em qualquer parte da Índia, não deixe de prestigiá-los. A entrada para o NGMA custa Rs 150 rúpias (US$ 3 dólares).


Não deixe de visitar também a Jehangir Art Gallery, ao lado do Museu Prince of Wales. A entrada é gratuita e lá é possível ver mais exposições de artistas indianos.






sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Gorai Island & Bandra

Há dois motivos para vistar a ilha de Gorai - em uma ponta há dois agitados parques de diversão  para crianças – Esselworld and Water Kindgom e na outra, uma tranquila estupa (templo construído em formato cônico, que de acordo com o budismo, representa o universo) chamada Global Pagoda.

Global Pagoda em Gorai Island
A arquitetura interna da Pagoda é impressionante. Uma cúpula de pedra foi construída sem pilares, sendo considerada a maior do mundo sem sustentação. Não é permitido entrar na área de meditação, mas é possível vê-la através de um vidro, pela qual tirei a foto abaixo.

Cúpula sem pilares no interior da estupa
Ali, qualquer pessoa pode praticar o Vipassana, uma técnica de meditação que dura dez dias, não sendo permitido falar e nem se expressar de forma alguma, seja através de olhares ou gestos. Nenhuma estupa budista no mundo cobra nada pelos ensinamentos, mas esperam uma doação pela acomodação e alimentação.

A ilha fica meio longe da parte central de Mumbai. É necessário pegar um trem até a estação Borivali, que saindo da estação Churchgate, custa aproximadamente Rs 10 rúpias e leva uns trinta minutos. Em Borivali tem que pegar um ônibus por mais vinte minutos até a balsa que leva à ilha de Gorai, o que custará mais Rs 10 rúpias. Se preferir, pode pegar um tuk tuk e pagar aproximadamente umas Rs 50 rúpias.

A saída da balsa é incrivelmente poluída. A água é preta, densa e fede! Juro que deu vontade de voltar para o hotel. No entanto, uma vez lá, peguei a balsa por mais trinta minutos, que custou mais Rs 35 rúpias (ida e volta) e fui conhecer mais uma estupa na Índia.

Bandra

Na volta, descemos na estação Bandra, um dos bairros mais caros e charmosos de Mumbai, com mansões de artistas de Bollywood e onde há os melhores bares, restaurantes e lojas de ruas.

Almoçamos em um restaurante caro indicado por alguns amigos indianos como sendo um dos melhores italianos da região - Palli Village. O lugar é muito bem frequentado, muito bem decorado, mas a comida deixou a desejar!

De lá fomos tomar um café de frente para a Bandstand Promenade, calçadão de frente para a praia. Praia esta que também não serve para banho, pois ao invés de areia, há somente pedras.

Bandstand Promenade, calçadão de frente para a praia
Caminhando pelo calçadão, passamos pelo “Walk of the Stars”, uma área dedicada aos artistas indianos, com suas mãos esculpidas em placa de bronze no chão, imitando a Calçada da Fama (Walk of Fame), em Hollywood.

Karisma Kapoor, atriz indiana, aos pés da minha irmã
No final da praia (à esquerda para quem olha de frente para o mar) há um Forte Português em ruínas, o Castella de Aguada, de onde se vê a baía de Mahim e a moderna ponte Rajiv Gandhi Sea Link, inaugurada em 2009, para ligar a baía à Bandra.

Castella de Aguada
Ponte Rajiv Gandhi Sea Link e Mahim Bay do lado oposto
Em todas as praias da Índia, sejam elas belas ou não, é possível ver incríveis pores do sol e foi ali que terminamos nosso dia, assistindo a mais um deles.

Pôr do sol em Bandstand, Bandra



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Chowpatty Beach & Haji Ali's Mosque

Chowpatty Beach é a praia mais famosa de Mumbai, infelizmente não para nadar, uma vez que é também uma das praias mais poluídas do mundo. De qualquer forma, se os indianos nadam no Rio Ganges, porque não nadariam em Chowpatty Beach?

Rodeada por prédios comerciais e residenciais, ainda assim é possível ver belos pores do sol entre os edifícios. Ao final do dia, a praia fica lotada com pessoas que vão ali à procura dos populares quiosques e seus típicos quitutes indianos.

Chowpatty Beach
Saiba que os indianos vão à praia vestidos. As mulheres entram no mar de roupa, já os homens podem usar bermudas.

Indiana vestindo sari
E como os homens indianos podem tudo na sexista Índia, não se espante ao vê-los abraçados e de mãos dadas. Isso é um costume no país inteiro, o que não significa que sejam gays. Para falar a verdade, pouco me importa se são ou não, o que me espanta de verdade é saber que homens podem demonstrar afeto em público e casais não.

Indianos de mãos dadas em Chowpatty Beach
Estando em Mumbai, não deixe de visitar esta praia. A estação de trem mais próxima é a Churchgate. Se tiver coragem, prove os famosos snacks de rua. Recomendo o Pani Puri, um tipo de pãozinho “oco” e crocante, acompanhado sempre de um molhinho diferente para recheá-lo. E tem também o Bhel Puri, um prato que mistura flocos de arroz, vegetais e um macarrãozinho que lembra batata palha. Este talvez seja mais seguro, já que não vem com molho. 

Haji Ali's Mosque

Ao deixar a praia, fomos visitar a mesquita Haji Ali, um dos lugares religiosos mais populares de Mumbai. Construída em 1431 sobre as águas do Mar Arábico, ali está a tumba de um santo muçulmano chamado Haji, o qual era um rico comerciante que se desfez de todos os seus bens antes de fazer uma peregrinação a Meca. Haji Ali morreu durante a peregrinação. Diz a lenda que seu caixão foi lançado ao mar e milagrosamente flutuou até o local onde hoje existe a mesquita.

O acesso à mesquita se dá através de uma longa passarela, que só é possível atravessar em época de maré baixa.

Passarela que dá acesso à mesquita Haji Ali
A mesquita encontra-se em estado precário devido à erosão causada pela água do mar e pelos ventos salinos.  Tristemente, uma camada imensa de lixo trazido pelo mar envolve a mesquita. Em 2008 deram início à recuperação do local, portanto uma vez dentro da mesquita, ao menos a tumba está com melhor aspecto.

Entrada da mesquita
Tumba de Haji Ali, dentro da mesquita
A entrada não é paga, mas pedem uma colaboração para guardarem os sapatos, que devem ser retirados ao entrar na mesquita. Vista-se discretamente para visitar o local, cobrindo especialmente os ombros, no caso das mulheres. De qualquer forma, homens e mulheres devem cobrir a cabeça com um lenço, que é fornecido gratuitamente na entrada, caso você não tenha um. Não se esqueça de devolvê-lo na saída para que outras pessoas possam usá-lo.

Blue Frog

Mumbai é conhecida por ter as melhores nightclubs e as noites mais agitadas da Índia. Sendo assim, com a nossa viagem chegando ao fim, eu e minha irmã não poderíamos deixar de conhecer uma balada indiana.

Por recomendação de alguns indianos, optamos pela Blue Frog por se tratar de um estúdio de produção, que ao mesmo tempo é também uma danceteria, com restaurante e espaço para concertos.

Cada noite toca uma banda diferente e nos divertimos ao som do The Ska Vengers, uma entre milhares de bandas que segue o gênero musical Ska. Para quem não conhece esse estilo musical, o Ska foi o precursor do reggae. As músicas são agitadas e dançantes, combinando jazz, blues e música caribenha, focando suas letras sempre em temas como discriminação, marginalidade e trabalho duro.

Vale a pena, mas já vá sabendo que terá que colocar a mão no bolso! A entrada custa Rs 500 rúpias (US$ 10 dólares). As bebidas custam em média Rs 1,000.00 rúpias (US$ 20 dólares), com os impostos, o valor praticamente dobra. É abusivo, mas esta é a lei para se consumir bebida alcoólica na Índia. Além disso, é necessário pegar táxi para ir e voltar, sendo que para voltar de madrugada, paga-se o dobro.





quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mahalaxmi Ghat, lavanderia ao ar livre

Cansada(o) de lavar roupa mesmo contando com a comodidade de sua máquina de lavar? Talvez você mude de ideia ao saber que na Índia há milhares de pessoas que trabalham por mais de doze horas lavando roupas em tanques de cimento e a céu aberto.

Tive a oportunidade de conhecer um Dhobi Ghat em Mumbai, termo usado em toda a Índia para se referir a um lugar onde muitos “lavadores” trabalham juntos. Dhobi é também a denominação de uma casta, justamente a casta de pessoas que trabalham lavando roupas.

Atualmente há na Índia mais de três mil castas, que são divisões criadas pela sociedade através da hereditariedade. Ou seja, se você nasce em uma família que lava roupas, você será um “lavador” também. Se você nasce em uma família que possui uma confeitaria, você fará parte da casta de confeiteiros e assim por diante.

O Dhobi Ghat que visitei se chama Mahalaxmi Ghat, existente há cento e quarenta anos, em meio a contrastantes prédios modernos e favelas. 

Mahalaxmi Ghat, lavanderia ao ar livre
O local conta com setecentos tanques e aproximadamente cinco mil funcionários que se revezam trabalhando noite e dia para lavar as roupas principalmente de hotéis e hospitais.

Tanques para lavar roupa
Os “dhobis” costumam lavar quase 150 roupas diariamente, lucrando Rs 4 rúpias por peça, que ao final do dia totaliza em Rs 700 rúpias (US$ 14 dólares). O governo fornece a água, mas os produtos de limpeza ficam por conta dos “lavadores”. Sendo assim, o pouco que ganham em um dia, acaba se reduzindo ainda mais.

Dhobis estendendo as roupas
Para chegar ao local, basta pegar o trem e descer na própria estação Mahalaxmi. A melhor forma de ver a “lavanderia” é da ponte, logo na saída da estação. Por não saber que era tão fácil chegar ali, fui de táxi. O motorista nos deixou no meio da ponte, em um local que ele não deveria parar e onde nós não deveríamos descer.

Se prepare para ser “atacado” por vendedores indianos ambulantes, que ficam na ponte justamente à espera dos turistas. Eles também tentarão ganhar um trocado tentando bancar um guia. Aliás, todas as informações que obtive acima, me foram dadas por uma vendedora e moradora da região, que ganhou uma gorjeta merecida.

Outros tentarão te arrastar para andar pelo ghat, mas saiba que nada é de graça. Para entrar no local é necessário pagar. Não me recordo o valor agora, mas cobram caro! Se preferir, você pode pagar por um tour. Porém, não acho que valha a pena. Da ponte é possível ver tudo perfeitamente.

Koyla Ethnic Cuisine

À noite, para comemorar o “pós-Natal”, eu e minha irmã fomos jantar em um restaurante chamado Koyla, também a céu aberto, na cobertura de um prédio velho, que dá até medo de subir pelo elevador. Mas valeu muito a pena, pois o lugar é super charmoso e eu não poderia deixar de recomendá-lo.

Tendas de madeira com tecidos amarrados nas laterais, luminárias indianas e coloridas e chão de areia, dão ao restaurante um clima bem praiano e descontraído.

Eu e minha irmã no restaurante Koyla
E se ainda quiser indicação de um prato, eu recomendo o Malai Kofta, que são bolinhos vegetarianos recheados com queijo cottage com algum molho tipicamente indiano, cheio de deliciosas especiarias. Como acompanhamento, você pode até pedir arroz, mas estando na Índia, sugiro o chapati (similar ao pão sírio), para ir mergulhando no molho. O único inconveniente do restaurante é que não servem bebida alcoólica.